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  • Vereador Pedro Kawai

Um ano sem muito a comemorar




Quando o final do ano se aproxima, é comum pararmos para fazer uma avaliação de tudo o que fizemos, deixamos de fazer, e para traçarmos planos para um ano novo. Para mim, 2021 foi um ano de perdas irreparáveis, mas de muito aprendizado.


A Covid-19 levou meu pai, amigos, artistas e milhares de pessoas, cujas famílias, assim como a minha, não terá um Natal pleno de alegria, pela saudade de quem se foi. Contudo, como cristão, sempre acreditei que ninguém se acaba com a morte, ao contrário, renasce para uma nova existência. Isso conforta o meu coração e, certamente, de muitos outros órfãos da pandemia.


Do ponto de vista político, 2021 não foi lá um dos melhores anos da nossa história. Claro que toda história tem dois lados, então, poderá haver quem faça uma avaliação contrária à minha, por estar em caminho oposto ao que sigo. São escolhas que fazemos, cujas decisões respeito.


Limitando-me a Piracicaba, posso afirmar que, como cidadão, minha percepção é de que Piracicaba encolheu em 2021. Em que pese o fato de termos nos tornado Região Metropolitana, mérito que, obviamente, se deve ao desempenho das administrações anteriores, o fato é que a nossa cidade retrocedeu, e em muitas direções.


Começamos 2021 com a falta de médicos em praticamente todas as unidades de saúde. Depois, começaram a faltar medicamentos e houve redução expressiva no atendimento à população, motivada, ou não, pelo oportuno argumento da pandemia. Depois, a crise atingiu a educação, com o corte dos kits de alimentação nas escolas, unidades em mal estado de conservação, e agora o rompimento do convênio com o Estado, para o fornecimento da merenda escolar. Isso sem contar o fechamento do Observatório Municipal e o cursinho pré-vestibular que atendiam a centenas de estudantes.


Poderia ter parado por aí, mas não. No esporte, por exemplo, o ano começou com o anúncio do rompimento do convênio com as entidades esportivas que mantinham em atividade, mais de 50 modalidades esportivas. Fato semelhante que aconteceu na cultura, que também deixou dezenas de projetos sem continuidade, com o agravante de a pasta ter sido alvo de inúmeros protestos da sociedade, contra o fechamento da Pinacoteca, das duas bibliotecas na periferia e, ao que tudo indica, da Biblioteca Municipal.


Uma gestão incapaz e sem a competência necessária de dialogar com a própria equipe. Em poucos meses o governo municipal perdeu várias de suas forças, muitas das quais que sustentavam o pouco da credibilidade que ainda possuía. Pior que isso, a absoluta demonstração de desprezo pelos servidores veio recentemente, com o veto do senhor prefeito, ao projeto de lei que garantia a integralidade dos servidores afastados por doenças, como a Covid-19, injustiça que não deixamos prosperar na Câmara.


Na área social, outro fiasco. Moradores de rua invadiram as praças Takaki, na Vila e da Catedral, escancarando a incapacidade da Prefeitura de encarar o problema de frente e buscar uma solução em parceria com as entidades assistenciais. Aliás, essas mesmas entidades que tiveram as portas fechadas, com o cancelamento de contratos, convênios e projetos. Corremos o risco de perder o nosso Hospital Ilumina, assim como já foi anunciado o fechamento do Albergue Noturno.


Pelo menos o trânsito está fluindo. Só que não. Ruas repletas de buracos, intervenções desnecessárias e outras há meses aguardando um simples “de acordo”. Ruas sujas, calçadas públicas, guias e sarjetas repletas de mato e sujeita nos bueiros. Uma cidade à mercê do voluntarismo do cidadão que precisa fazer o trabalho pelo qual paga, através dos seus impostos.


Mas o maior sinal da incompetência, da falta de vontade política, da incapacidade de compreender a lógica do que é administrar uma cidade, está no fato de a prefeitura anunciar mais de um bilhão de reais em caixa, como se encerrar o ano com os bolsos cheios, tivesse o mesmo valor no setor público que tem para o privado, deixando diversos serviços públicos parados para gerar essa economia.


Este governo é um equívoco. Não bastassem as medidas insanas, como o fechamento de vários serviços criados pelos governos anteriores, de todos os partidos políticos, a prefeitura se dá ao luxo de rejeitar um hospital veterinário, um hospital como o Ilumina e um local para abrigar pessoas sem um teto, como é o Albergue Noturno.


Gostaria muito de fazer um balanço sobre o que Piracicaba construiu ao longo desses doze meses, mas o mérito é da iniciativa privada apenas, porque o Executivo, executou. Fuzilou as políticas sociais, culturais, esportivas, educacionais, dividiu a nossa sociedade, deu as costas para o os servidores, para os pequenos comerciantes, para o pobre.


Ano que vem será importante, porque teremos a chance de escolher novos gestores, como governadores e o presidente da República. Será uma grande chance de a sociedade dar o seu recado que nem todas as mudanças são boas e que nem sempre escrever uma nova história significa um capítulo com final feliz.


Pedro Kawai é vereador pelo PSDB e membro do Parlamento Metropolitano de Piracicaba

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