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  • Foto do escritorVereador Pedro Kawai

Semear é opção; a colheita é obrigatória

A semente que até dezembro era plantada em nossas crianças nossas crianças continuará sendo realizada

O ditado popular é bem claro: nós não somos obrigados a semear nada em nossas vidas, porém, a inércia, com certeza, nos transformará em pessoas vazias quando o futuro se transformar em presente ou colhermos frutos amargos se semearmos de forma errada ou sementes ruins.


Piracicaba é hoje uma das grandes cidades do interior paulista, graças aos trabalhos desenvolvidos há muitos anos pelos gestores, entidades, organizações, população e tantos anônimos que, de uma maneira ou outra, contribuem para o nosso crescimento e protagonismo. A inércia pode estagnar muito desse crescimento ou, o que é pior, algumas decisões e ações nos dias de hoje podem ter reflexos negativos em médio ou longo prazos.


Investir em nossas crianças e adolescentes, com certeza, é o grande caminho para uma cidade mais educada, segura e próspera. Dar oportunidades e proteção a elas hoje se reverterá em melhoras na sociedade e temos bons exemplos disso.


Há 20 anos, os CASEs (Centros de Atendimento Socioeducativo) vêm desenvolvendo um trabalho de extrema relevância, em que crianças e adolescentes em contra turno escolar eram atendidas com acolhimento afetivo, oficinas culturais, esportivas e alimentação, enquanto seus responsáveis estavam no trabalho. Ao deixar a escola, iam direto ao serviço e somente eram liberados após a chegada do responsável em uma das 7 unidades existentes na periferia da cidade ou eram deixados na unidade e iam direto para a escola para continuidade do atendimento.


Porém, o atendimento da educação mudou, o Estado de São Paulo implantou em praticamente 100% das escolas em Piracicaba o período integral para alunos do sexto ano ao ensino médio, que passou a atender os adolescentes com um belíssimo e profissional trabalho.


Com isso, alguns CASEs passaram a ter dificuldades em completar as vagas disponíveis e para nossa surpresa o serviço foi alterado: ao invés das três horas passaram em 2023 a uma hora e trinta de atendimento, PODENDO ser estendido até três horas, caso aja interesse da criança ou adolescente, mas sem o fornecimento da alimentação, apenas um pão com queijo por criança.


Ao meu ver, o que não foi analisado é que nossos pequenos que estudam do primeiro ao quinto ano serão os mais expostos aos perigos da rua, pois eles não frequentam o período integral nas escolas municipais.


Aqui se encaixa minha reflexão do início: imagine a diferença na vida dessas crianças, e da sociedade no futuro, se elas já tiverem um atendimento diferenciado (tanto afetivo quanto didático), dos 7 anos até o término dos estudos no ensino médio?


A partir desse janeiro, Piracicaba perdeu essa oportunidade, abriu mão de manter o trabalho diferenciado desenvolvido há 20 anos, alegando falta de demanda por conta da implantação do período integral nas escolas estaduais. Será que não temos 150 crianças do primeiro ao quinto ano nos bairros, ou territórios, que como se chamam tecnicamente? Qual o reflexo disso daqui há 10 anos? Você tem dúvidas de quem estará exposto nas ruas com os mais velhos dentro das escolas?


O tempo dirá. A semente que até dezembro era plantada em nossas crianças continuará sendo realizada para uma parcela e Piracicaba perdeu a oportunidade de aumentar, e muito, a semeadura de uma sociedade mais educada e segura.


Pedro Kawai (PSDB), vereador em Piracicaba

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