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  • Vereador Pedro Kawai

Requentando boas novas


Recentemente, a Prefeitura anunciou que Piracicaba recebeu parecer favorável para obter a classificação de Município de Interesse Turístico (MIT). Ótima notícia, se não fosse fato requentado. Aliás, essa parece ser uma prática do governo municipal que, ainda, não se encontrou, escondendo-se da sociedade e tomando para si, conquistas que foram construídas pelas sucessivas administrações municipais.


Em outras palavras, o MIT significa mais dinheiro para se investir no turismo. E isso só foi possível, graças ao esforço da Câmara, que atualizou a legislação; ao trabalho edificante do Conselho Municipal de Turismo, que deliberou sobre várias das políticas públicas implementadas com sucesso; dos vários prefeitos e das suas respectivas equipes, as quais deram importante contribuição, seja revitalizando a orla do rio Piracicaba, com ações como o Projeto Beira Rio, seja restaurando e criando espaços para contemplação, entretenimento, diversão, lazer, conhecimento e, até mesmo, fomentando o empreendedorismo individual e coletivo.


Não se questiona o enorme potencial turístico que Piracicaba possui. Somos o berço da República; pioneiros no ensino metodista; temos a maior e mais importante escola superior de agricultura da América Latina; um centro de excelência no ensino da odontologia; um rio majestoso, cercado por construções que ajudam a contar a história do desenvolvimento industrial no país; um elenco virtuoso de artistas, pintores, atores, escritores, cantores, dançarinos e músicos com excelência reconhecida internacionalmente.


Temos importantes faculdades e universidades em todas as áreas do conhecimento humano; algumas centenas de cientistas e pesquisadores com rica produção acadêmica, e uma das mais importantes incubadoras de startups do país, que nos conferiu o honroso título de Vale do Agronegócio, além de dezenas de institutos e escolas de ensino técnico-profissionalizante de reconhecida qualidade.


Nosso potencial turístico não se limita à ciência, educação e às artes. Piracicaba é referência também na indústria e, daqui, surgiram as primeiras usinas de álcool exportadas pelo Brasil para os quatro cantos do mundo. Se hoje, o etanol é uma das mais importantes matrizes energéticas do país, Piracicaba tem uma enorme participação nesse mérito, e papel protagonista no Proálcool, que vigorou entre os anos de 1970 e 2000.


Destaca-se também, o Parque Automotivo, projetado especialmente para abrigar um conjunto de empresas que têm como âncora, a Hyundai, uma das mais notáveis fábricas de automóveis do mundo – orgulhosamente piracicabana.


Temos aço, os mais engenhosos veículos pesados para a construção civil, empresas do setor aeronáutico, de componentes automotivos, de alta tecnologia; um comércio pujante e um conjunto elogiável de prestadores de serviços. Temos, sobretudo, visionários na iniciativa privada, no setor público e no Terceiro Setor.


Portanto, tornar-se MIT, definitivamente, não é mérito de um ou de outro governo. Trata-se de um projeto de cidade. Aliás, foi uma das diretrizes estruturantes do antigo Piracicaba 2010, que se tornou o atual Pira 21, planejamento estratégico escrito pelas mãos de toda a sociedade, em um admirável pacto de amor e respeito pela cidade.


Talvez muitos não saibam, mas Piracicaba já teve assento em um dos conselhos da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo, a EMBRATUR. Já fomos inseridos em diversos roteiros turísticos para peregrinos, com o Caminho do Sol, na Rota Cervejeira, no circuito gastronômico caipira, no circuito esportivo com automobilismo, balonismo, em campeonatos de skate, artes marciais etc., o que nos conferiu uma rica coleção de troféus e medalhas, inclusive olímpicas, conquistadas por atletas das mais diferentes modalidades esportivas.


Nosso cururu, a catira, o congado, a moda de viola caipira, as festas do Divino Espírito Santo, da Polenta, do Vinho, da Cachaça, das Nações, da Primavera realizada pelos imigrantes japoneses, o Minas Fest, o São João de Tupi, a Festa do Milho de Tanquinho, a Festa do Peão Boiadeiro e tantas outras manifestações culturais realizadas por entidades assistenciais e religiosas da cidade, que também atestam o enorme potencial turístico do município. Isso sem dizer que temos os mais respeitados e longevos salões oficiais de Arte Contemporânea, Belas Artes, Aquarelas e, o mundialmente conhecido, Salão Internacional de Humor. Temos até um dicionário do dialeto “caipiracicabano”.


Assim, quando alguns comemoram conquistas, é necessário ter honestidade e olhar para trás, a fim de reconhecer a importância de todos os que deram a sua parcela de contribuição, numa demonstração de grandeza, generosidade e de espírito público. Isso porque, para tornar-se MIT, não bastam apenas certidões, declarações ou outros documentos comprobatórios. É necessário ter musculatura política, ter influência, permeabilidade pelas diferentes esferas do poder, trânsito junto à população e às suas lideranças, energia e vontade de trabalhar por Piracicaba. Em outras palavras, é necessário gostar de Piracicaba e da nossa gente.


Piracicaba não tem apenas “Interesse Turístico”. Ela tem respeito pela sua nossa história e pela nossa identidade cultural, que poderia ser ainda mais rica e admirada, não fossem as investidas contra a Pinacoteca, o Observatório Municipal, e aos já ameaçados Aquário Municipal e Zoo, o qual, assim como algumas de suas espécies abrigadas, também corre risco de extinção.


Pedro Kawai é vereador pelo PSDB e membro do Parlamento Metropolitano de Piracicaba

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