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  • Vereador Pedro Kawai

Perdoai, eles não sabem o que fazem



No dia 30 de agosto, comemorou-se o Dia Nacional do Perdão, uma data oficial, instituída pelo Senado, dedicada à reconstrução de relações interpessoais e institucionais. Convenhamos, um grande esforço que nem todos conseguem despender, dadas as nossas fraquezas humanas.


Algumas demonstrações de perdão são notáveis. A maior delas, inquestionavelmente, foi a de Jesus Cristo que, no auge do seu sofrimento na cruz, pediu perdão ao Pai, em favor dos que o condenaram à morte. Outro admirável e histórico gesto de perdão foi dado pelo Papa João Paulo II que, em 1983, foi ao presídio de Rebibbia, em Roma, para encontrar-se com o terrorista Mehmet Ali Ağca que, há exatos 40 anos, desferiu dois tiros contra o pontífice, em plena praça de São Pedro. No Brasil, a deputada federal Keiko Ota não só desculpou os assassinos do filho, como propôs a lei que instituiu o dia de reflexão e celebração da paz.


A psicologia indica que, um dos principais processos para se conseguir perdoar é compreender as razões do próximo, é ter empatia. Repito, um esforço que nem todos somos capazes de realizar, seja qual for a razão. Contudo, quando nos deparamos com a fragilidade da vida, nos tornamos mais sensíveis à compreensão de algumas falhas alheias e, também, às nossas próprias.


Mas compreender não implica, necessariamente, aceitar ou concordar. Portanto, entendo que o perdão não é um salvo conduto, mas a aceitação de que as pessoas erram e que, muitos desses erros são cometidos por absoluta ignorância, desconhecimento, inexperiência, e até mesmo por outras patologias psiquiátricas como a esquizofrenia, o narcisismo, os transtornos bipolares, obsessivos ou compulsivos.


Parte dessas razões explica, por exemplo, a dificuldade que o atual governo municipal tem em aceitar o contraditório e o diálogo. Esperei 100 dias para poder fazer as minhas indagações sobre ações até agora sem explicações convincentes. O amigo Evaldo Vicente, editor desta Tribuna, esperou 200. Alguns ex-secretários, que já deixaram o governo, tiveram uma tolerância maior, e outros, ao que nos parece, já estão no seu limite.


Reafirmo o que já disse outras vezes: o Chefe do Executivo tem a prerrogativa de escolher seus secretários e de impor o seu ritmo de trabalho, até porque, foi eleito para tanto. Mas isso não significa que toda a cidade o esteja perdoando ou apoiando atos um tanto quanto duvidosos, como o rompimento dos contratos com as entidades esportivas e culturais da cidade, o fim do cursinho municipal pré-vestibular, a união e a desunião de secretarias, o investimento de R$ 4,9 milhões para construir o anexo da UPA do Piracicamirim, e mais R$ 7,6 milhões por um contrato de três meses com uma Organização Social de Saúde, com os números da Covid-19 em queda, e sem um planejamento claro de ocupação, além do fato dessas ações terem sido realizadas com dispensa de licitação. Some-se a isso, a recusa em aceitar o Hospital Veterinário que seria construído pelo Governo do Estado de São Paulo.


A mais nova polêmica criada pela prefeitura compromete parte da história e da memória cultural de Piracicaba: a entrega da Pinacoteca para a Polícia Federal, como se não houvesse outra opção de imóvel em uma cidade que acaba de se tornar polo de uma região metropolitana. Uma atitude que mais parece o desejo de se livrar da incumbência de fomentar a cultura, tão criticada por quem hoje a gere oficialmente, do que resolver o problema estrutural de uma instituição absolutamente imprescindível para a cidade.


A cultura não merece isso. A Polícia Federal também não. Qual é o seu valor para o governo municipal? Há vários imóveis públicos na cidade que poderiam acomodar melhor a estrutura da PF, basta ter vontade política para buscá-los e humildade para aceitar sugestões. Eu próprio já apresentei dois imóveis do município e levantei pelo menos outros dois, além de me dispor a intermediar uma conversa com o Governo do Estado de São Paulo, para a cessão de imóveis subutilizados. Isso sem citar repartições federais que poderiam perfeitamente ser reformadas ou ampliadas, com a mesma velocidade com que se decidiu construir um anexo para a UPA do Piracicamirim.


De fato, a Polícia Federal tem imensa importância para o município e para a região. Ela precisa muito de um espaço adequado para atender bem à população e oferecer melhores condições de trabalho para os seus servidores. Por termos outras opções, entendo que essa briga com parte expressiva da comunidade artística não se justifica. Será que corremos o risco de perder a PF por teimosia ou por economia de aluguel?


Mesmo com toda nobreza que o perdão carrega em sua essência, não creio que o tempo saberá encontrar um lugar digno para os protagonistas dessa triste história.


Pedro Kawai é vereador pelo PSDB

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