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  • Vereador Pedro Kawai

O poder das letras



A Academia Piracicabana de Letras comemorou, no último dia 11 de março, meio século de existência. Uma data que celebra o poder das palavras, a importância do conhecimento e a necessidade de se preservar a nossa história. História das nossas tradições culturais, da memória de Piracicaba e, sobretudo, daqueles que, generosamente, emprestaram seu talento e o dom da escrita para descrever, instruir, narrar, inspirar e emocionar.


Ao longo dessas cinco décadas, muitos ilustres compuseram sua diretoria e ocuparam suas 40 cadeiras, cujos nomes não há como mencionar para não se correr o risco do lapso de memória. Pessoas abnegadas, que se dedicaram e, ainda se dedicam, à manutenção da nossa identidade cultural, cultuando o conhecimento, o pensamento e o valor das palavras.


A APL é uma instituição que precisa e merece nossa atenção como cidadãos e como gestores públicos. Temos o dever de mantê-la viva, de estimular o seu desenvolvimento, de divulgar suas ações e de fomentar eventos que possibilitem a troca se saberes, porque o conhecimento é o que nos torna melhores como pessoas.


É preocupante, mas ao que parece, a sociedade caminha para um desinteresse, uma apatia em relação à cultura, à história e à memória. Talvez seja influência da tecnologia, que torna tudo mais rápido e menos trabalhoso. Ouvir um podcast, por exemplo é, para muitos, mais conveniente do que investir tempo para uma leitura. Do mesmo modo, um filme leva, no máximo, duas horas para contar uma história, ao contrário de um livro, que nos envolve por muito mais tempo.


Outra triste constatação é a de que museus, galerias de arte, observatórios astronômicos e até mesmo as bibliotecas esvaziam-se a cada dia, talvez pelo desestímulo de quem deveria incentivar e promover a arte. Quem não lê, não observa, não reflete e não pensa, não descobre, nem questiona.


Pode haver quem afirme que, em tempos difíceis, existam necessidades mais relevantes do que investir na compra de um livro, de um ingresso para um espetáculo, ou quem prefira dedicar seu tempo, quase que integralmente, para acumular riqueza.


Também é provável que possa haver quem julgue que espaços culturais, esportivos e sociais sem grande visitação, devam ser extintos para dar lugar a outros equipamentos públicos de maior frequência. É, portanto, lamentável que ainda possa existir quem confunda ou desconheça a diferença entre o público e o privado.


Por isso, devemos cultuar, celebrar e comemorar sempre, a sobrevivência de instituições como a Academia Piracicabana de Letras, o Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba e outras tantas organizações com os mais variados fins, pois sempre haverá quem não conheça e reconheça o verdadeiro valor dos seus propósitos, afinal, a história se escreve com heróis, mas também com vilões.


Salve a nossa Academia Piracicabana de Letras, que chega ao seu jubileu de ouro. Salve os nossos romancistas, poetas, cronistas e dramaturgos. Salve os nossos escribas do passado, do presente e todos aqueles que virão, para garantir a preservação da história de Piracicaba.


Pedro Kawai, vereador e membro do Parlamento Metropolitano de Piracicaba


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