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  • Vereador Pedro Kawai

Coragem, competência e vontade política



Esta semana, dois acontecimentos envolvendo sentimentos como abandono, ausência de empatia e indiferença me tocaram na alma. O primeiro foi a desistência do governo municipal de receber um hospital veterinário na cidade, sob a alegação de “inviabilidade econômica”. O segundo, ainda mais triste, foi o estado em que uma senhora e seu filho, aparentemente com problemas mentais, vivem em uma praça no distrito de Santa Teresinha, dividindo espaço com lixo e roedores.


Sinceramente, esses eventos me fizeram refletir muito sobre qual tem sido o papel que Poder Constituído vem exercendo sobre a população pela qual é responsável. E aqui, desde já, deixo claro que não se trata de uma crítica pela crítica, mas de um alerta aos que ocupam cargos eletivos ou em comissão.


O parágrafo único do Artigo 1º da nossa Constituição afirma que”... todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos...”. Em outras palavras, o povo é o verdadeiro dono do poder, ou deveria ser se assim compreendesse melhor a sua força e a sua influência. Entretanto, esse princípio fundamental da nossa Carta Magna é frequentemente violado, e para justificar tal violação, alguns se amparam em argumentações vazias, seja por absoluta incapacidade, seja por falta de vontade política. Quem sabe, pelas duas.


A desistência do Hospital Veterinário, cuja viabilidade vinha sendo construída pelo governo anterior, por diversas ONGs de proteção e por protetores independentes, foi um duro golpe para todos os que se preocupam com os animais em estado de abandono, que deram sua importante contribuição para o desenho de um modelo de gestão, cujo custeio já estava contemplado no orçamento municipal. “Não nos interessa, porque não teremos dinheiro para cuidar desses animais”. Talvez tenha sido essa a frase dita ao governo de São Paulo. Ao contrário do “Sim! Claro que nos interessa cuidar dos nossos animais”, frase possivelmente expressa por Santa Bárbara d´Oeste que, mesmo com orçamento inferior ao de Piracicaba, terá o equipamento, originalmente previsto para a nossa cidade.


O que estarreceu a população, que vem se manifestando pelos meios de comunicação e das redes sociais, foi que não se apresentou um projeto, um “Plano B” para justificar a recusa, apenas sonhos e ideias a serem ainda analisados. E muitos até podem estar pensando que se tratou de uma espécie de ciúmes ou revanchismo partidário, já que esse era um desejo antigo, inclusive da base de apoio da atual administração municipal.


O outro caso mencionado anteriormente, sobre a acumuladora que vive entre o lixo no meio da Praça da Bíblia, em Santa Teresinha também revela a ausência de empatia de um governo que deveria sim, dar assistência social, já que esta é a razão de existir uma secretaria para esta finalidade.


Há recursos no orçamento para acolher esta senhora e seu filho deficiente. Precisamos, urgentemente, abrir o diálogo com o Poder Judiciário para uma ação conjunta a fim de amparar esta família, ou o que restou dela. Há formas de se ajudar, de se importar, de sentir a dor do próximo. Não fosse a rápida intervenção da Sedema e da Defesa Civil, que souberam compreender a gravidade da situação, talvez o lixo ainda estivesse lá, assim como os ratos, aguardando reuniões deliberativas dos grupos que deveriam se envolver com a problemática. Mas dona Lucilena e seu filho continuam lá, se alimentando de sobras ou da generosidade dos Vicentinos, ou de alguém que talvez ofereça um prato quente de comida.

Pouco importa se cão e gato não votam, e se as pessoas com insanidade mental não possuem discernimento para escolher um ou outro candidato. Nada disso deveria ter relevância para quem se dispõe a exercer a atividade pública. Para bem representar uma parcela da população em qualquer que seja o cargo é preciso ter coragem, competência e vontade política. O resto é discurso.


Pedro Kawai é vereador pelo PSDB

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