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  • Vereador Pedro Kawai

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Não. Não foi digitado errado. O título do artigo desta semana expressa a inversão de valores sociais praticada pelo atual governo de Piracicaba. Atual, porque não se pode afirmar que seja um governo novo, afinal, tanto o prefeito, quanto o seu vice, integraram as administrações do PSDB, que estiveram à frente de Piracicaba, nos últimos 16 anos.


O que mudou, de lá para cá, foi o olhar do gestor público para a cidade que o elegeu. O prefeito parece não ter muita afinidade com a política partidária, tampouco com o exercício da atividade pública. Vê-se pouco, participa pouco, decide pouco, mas persegue muito, e insinua nutrir um certo despreparo no trato junto aos servidores públicos.


Óbvio! Afinal, a gestão pública não se compara ao modo de administrar uma empresa. Não se demite um servidor que não se curva, como pode ocorrer na iniciativa privada. São instâncias distintas, para as quais deve-se ter preparo, habilidade e conhecimento. Titulação acadêmica não tem tanta relevância para um gestor público que possui vontade política. Luciano Guidotti é um bom exemplo. É bem verdade, que eram outros tempos, e que o rigor e a burocracia não eram impeditivos para se determinar a construção de prédios, de ruas, avenidas, como é, na atualidade.


Talvez seja essa, uma das razões pelas quais tantos gestores públicos se afogam na rotina de seus gabinetes, deixando de lado o convívio com a sociedade, com o povo. A propósito, para ser um bom gestor tem que gostar de gente, tem que gostar de povo, tem que estar com o povo.


Vejamos o que vem ocorrendo, por exemplo, com a cultura da nossa cidade. O primeiro ato do atual governo, nessa direção, foi romper com todos os agentes culturais que possuíam contratos com a Secretaria de Ação Cultural para a execução de programas e projetos, especialmente junto aos bairros da cidade. Depois, optou-se por seguir uma linha de discurso baseada na desconstrução de tudo o que havia sido feito pelos governos anteriores. Estratégia, aliás, adotada por quase todos os setores da prefeitura.


De repente, tudo o que se construiu ao longo da história de Piracicaba passou a ser errado. E não foi apenas uma crítica endereçada aos governos do PSDB, mas, também, aos do PT, ou seja, aos gestores dos últimos 24 anos, período em que se ocupou, tombou e adquiriu o Engenho Central, que se construiu o Observatório Municipal, que se construiu uma sede própria para a Biblioteca Municipal, que se criou o Teatro Erotides de Campos, que se restaurou a Casa do Povoador, que se criou o Salão de Aquarelas na Pinacoteca Municipal, que se criaram duas bibliotecas nos bairros, seis centros culturais, que restaurou e ocupou a Estação da Paulista, que se consolidou mundialmente o Salão Internacional de Humor, que se criou a Companhia Estável de Teatro Amador e a Companhia Estável de Dança, a retomada da Orquestra Sinfônica de Piracicaba, o Prêmio Escriba de Poesia, O Museu da Água, o Aquário Municipal, as passarelas pênsil e estaiada, os tombamentos de edificações históricas, a exposição permanente de obras nos muros do Cemitério e do Semae (Pintando a Saudade), etc, etc, etc.


Mas, no entendimento do governo que aí está, isso tudo não é considerado cultura. Estão construindo uma nova história em Piracicaba, como se prometeu em campanha. Ao meu ver, uma triste história, com capítulos aterrorizantes, como o que marcou a desativação do Observatório Municipal e, agora, a mudança do acervo da Pinacoteca para um dos barracões do Engenho Central, a fim que a sua sede, construída especificamente para abrigar obras de arte, fosse entregue para outra finalidade, como se estivesse se livrando de um peso, de um problema, de algo sem valor, ou simplesmente, “cobrindo um santo, descobrindo outro”.


Fato semelhante poderá ocorrer com a Biblioteca Municipal Ricardo Ferraz de Arruda Pinto, cujos planos do governo em curso, são de desativá-la e transferir seu acervo para um outro barracão do Engenho Central, a fim de que o prédio, que foi construído com dinheiro da Câmara de Vereadores, possa ser destinado a um outro fim.


Se é essa a nova história que se pretende escrever para a nossa cidade, que seus autores sejam dignos de sustentá-la pela inovação, criatividade e empreendedorismo. Que seja uma história de desenvolvimento, de democratização dos espaços públicos, de ampliação dos acessos à cultura, ao esporte, ao lazer, à qualidade de vida e à tecnologia. Que seja uma história honrosa, como bem escreveram os prefeitos anteriores, cada qual com a sua contribuição.


Piracicaba é maior que seus gestores. A cidade pulsa e vive também através de suas instituições, da resiliência do seu povo e não apenas das decisões autocráticas da administração municipal. A “nova história” já está sendo escrita, e ainda há tempo de termos um final feliz, ou não.


Pedro Kawai é vereador do PSDB e membro do Parlamento Regional da Região Metropolitana de Piracicaba

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