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  • Vereador Pedro Kawai

A cultura do absurdo

PEDRO KAWAI


Não há explicação nem argumentos que me convençam a aceitar ser “normal”, alguém fazer apologia ao nazismo, mesmo que seja por absoluta ignorância. Muito menos, não me indignar ao ver imagens de uma pessoa sendo morta a pauladas em um quiosque de praia, enquanto alguns observam e outros ignoram, e de um jovem negro assassinado por um militar da Marinha ao ser confundido com um bandido. Em que mundo estamos vivendo?


Esses três tristes e lamentáveis episódios, ocorridos recentemente, evidenciam uma sociedade absolutamente sem limites e doente, que cultua o absurdo, despreza qualquer regra social, distorce a razão e passa por sobre a lei com a certeza da impunidade.


A repercussão do caso Monark, o youtuber Bruno Aiub, que defendeu a existência de um partido político nazista, endossado por um parlamentar, nos envergonha e nos revolta. Mais que isso, nos preocupa, porque não se trata de um fato isolado, ou de um ato falho. Outros casos recentes, ganharam menos repercussão, mas, igualmente, indicam uma perigosa disseminação dessa ideologia perversa, desumana e criminosa.


Em 2019, um jovem de Curitiba foi retirado de um shopping, quando flagrado circulando pelas lojas com uma suástica no braço. No ano passado, em Porto Alegre, uma mulher exibiu um cartaz com o mesmo símbolo nazista, em protesto contra a votação de um projeto de lei que exigia comprovação da vacina contra a Covid-19. São apenas alguns exemplos, que podem ser facilmente encontrados em uma busca simples pela internet, assim como tantos outros episódios que vão de bolo de aniversário com a foto de Adolf Hitler, a logomarcas de estabelecimentos comerciais que misturam a bandeira do Brasil a símbolos nazistas.


A lei nº 7716/1989 estabelece que: “Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo” é crime, com pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. Portanto, não há o que se discutir, cumpra-se o que diz a lei, até para que sirva de exemplo para quem nutre o ódio pelo diferente.


Ódio, intolerância e racismo, que levaram à morte, o congolês Moïse Kabagambe, torturado e espancado a golpes de taco de beisebol, no mês passado, no Rio de Janeiro. Segundo as

investigações policiais, o crime ocorreu porque o jovem teria cobrado o pagamento de dois de trabalho em atraso, o que desagradou o dono do quiosque que o assassinou impiedosamente.


Outro assassinato a negro ocorreu em São Gonçalo (RJ), no início de fevereiro, quando Durval Teófilo Filho, foi executado a tiros por um militar da Marinha, que alegou tê-lo confundido com um bandido, apenas por vê-lo mexendo em sua mochila, na entrada do condomínio, onde ambos eram vizinhos.


Estes trágicos acontecimentos possuem uma relação entre si: relevam o comportamento antissocial e doentio de uma parcela da sociedade, que parece incentivar o crime, a discriminação, a homofobia e a intolerância. E, ainda pior, alguns, apropriam-se de símbolos nacionais e da Divindade para justificar a negação da ciência e a disseminação de mentiras, que influenciam os menos avisados.


Essa ardilosa estratégia de confundir para dividir, não será combatida, senão pela verdade, pela Justiça e, sobretudo, pelo resgate de valores morais como o respeito ao próximo e a tolerância à diversidade. Do mesmo modo, essa doentia defesa de valores extremistas só poderá ser combatida através da educação, porque o conhecimento é o único remédio capaz de curar a ignorância.



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