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  • Vereador Pedro Kawai

A cada mil negros nascidos, um desenvolve anemia falciforme

Os dados foram apresentados pelo servidor público Vanderlei Bastos durante o 3º Encontro do Mês da Consciência Negra da Escola do Legislativo, nesta tarde (24)



Para marcar o 3º tema do ciclo de atividades do "Mês da Consciência Negra", desenvolvido pela Escola do Legislativo Antônio Carlos Danelon – Totó Danelon, da Câmara Municipal de Piracicaba (SP), foi realizada na tarde desta quarta-feira (24) a roda de conversa online “Anemia Falciforme e a População Negra”, promovida de forma eletrônica pela plataforma Zoom e transmitida pelo canal da escola no Youtube.


Foram convidados para a live o médico hematologista Lineu Cardoso e os servidores públicos Vanderlei Bastos e Carlos Alberto Alves Damacena – este último – funcionário do departamento de Recursos Humanos do Legislativo Municipal. A mediação foi feita pelo vereador e coordenador da Escola, Pedro Kawai (PSDB).


A anemia falciforme é uma doença genética e hereditária, predominante em negros, mas que pode manifestar-se também em brancos. Teve origem no continente africano e chegou ao Brasil com a escravização.


Dados apresentados pelo setor de Hematologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) apontam um caso de anemia falciforme a cada mil negros nascidos no Brasil.

“Eu tenho um paciente branco, de olhos azuis, e é campeão de dor com muitas crises e necroses”, explica o médico Lineu Cardoso.


A anemia comum, detalha Cardoso, é perceptível quando a pessoa tem uma queda na hemoglobina, considerada abaixo do normal. Seus sintomas são fraqueza, dores nas pernas, moleza e outros sintomas, o que significa a falta de ferro no organismo. “Já a falciforme não tem deficiência de ferro e nem de vitamina B12 no organismo, mas é genética e com vários graus. Tem pacientes que não sofrem nenhum tipo de intercorrência e outros apresentam sintomas mais graves”.


Dor forte provocada pelo bloqueio do fluxo sanguíneo e pela falta de oxigenação nos tecidos, fadiga intensa, palidez e icterícia, atraso no crescimento, feridas nas pernas e dores articulares são os sintomas mais frequentes provocados pela anemia falciforme.


A busca por informações sobre a patologia motivou o agente cultural Wanderlei Bastos a criar o grupo “Anemia Falciforme Piracicaba”. Ele percebeu ao longo de seus 36 anos como servidor público da área da saúde da Prefeitura de Piracicaba, que havia muitas dificuldades para identificar os sintomas da anemia falciforme. “Muito pouco se ouvia falar do assunto”.

O contato mais forte com pacientes de anemia falciforme, conta Bastos, se deu com a inauguração de um ambulatório municipal próprio para tratar a doença, no Jardim Alvorada, no ano de 2012. “Ali pude perceber os números das internações e as transfusões. A família ficava internada junto”.


A doença também provocou incômodos no servidor público da Câmara Municipal de Piracicaba, Carlos Damacena, de 46 anos. Na infância ele apresentou muitos problemas de saúde “e os médicos e enfermeiros não sabiam o que era isso e não havia nenhum protocolo”.


Ainda criança realizou tratamento no Centro Infantil Boldrini, de Campinas (SP). “Essa realidade”, relata Damacena, se estendeu até a sua adolescência. “Tive deslocamento da retina e precisei retirar o baço com apenas cinco anos”.


Ambos reconhecem que houve avanços no diagnóstico da doença e, consequentemente, no tratamento.


“TESTE DO PEZINHO” – A anemia falciforme é identificada pelo “Teste do Pezinho”, realizado a partir do sangue coletado do calcanhar do bebê que permite identificar doenças graves. O momento ideal para a realização do exame é entre o 3º e 5º dia de vida do recém-nascido. O procedimento é obrigatório em todo o país pelo SUS (Sistema Único de Saúde) desde 1992 e não tem custo.


Em 26 de maio deste ano foi sancionada a Lei Federal 14.154, que amplia para 50 o número de doenças mapeadas pelo Teste do Pezinho. Anteriormente à essa legislação, o exame englobava apenas seis doenças. Anualmente são realizados dois milhões e 400 mil testes em todo o país em 28 mil locais, entre unidades públicas de saúde e maternidades da iniciativa privada.


Em Piracicaba, o laboratório específico para o diagnóstico específico de anemia falciforme, foi transferido do bairro Alvorada para o Centro de Especialidades, atrás do Mercado Municipal.


O último ciclo sobre o Mês da Consciência Negra, da Escola do Legislativo, acontece nesta quinta-feira (25), das 14h às 16h, com o tema: "Roda de Conversa: a presença do negro da política piracicabana - passado, presente e futuro. Outras informações no escola.camarapiracicaba.sp.gov.br.



Texto: Marcelo Bandeira - MTB 33.121

Supervisão: Rodrigo Alves - MTB 42.583

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